A Criança das Eras

6:16 PM
Era uma vez uma criança que repousava na meia luz do tempos segurando uma pena fina de luzes pálidas com ambas as mãos em forma de concha. Ela dançava com asas emprestadas por uma coruja amiga que voava no vórtice eterno da consciência. Dançava! Dançava em espiral ascendente até o brilho fosfóreo da lua, na compania dos ventos gelados que carregavam as folhas vermelhas que cobriam o chão... Ela sabia, ela sempre soube que chegava o fim do outono para aquelas montanhas eternas que cobriam vales e florestas jamais dantes tocados por outra pessoa qualquer...


O outono se findava e, com ele, uma parte de sua alma, agora, sempre, por todo fugaz instante que cobrir a imensidão absoluta das eras!


"Logo o sol vai se por minha coruja amada e com o fim do ocaso virá o inverno, mas vamos ficar bem! Estamos juntos, agora, sempre, e com isso sinto que há beleza por todo fugaz instante que cobrir essa vastidão que chamamos de infinito! Está tudo bem, estamos juntos! Amanhã despertaremos em nosso outono eterno".
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Momento de loucura aguda

10:08 PM
Uma mariposa... uma mariposa... uma mariposa... uma mariposa... Apenas uma mariposa dentre todas as sombras que circulam o mundo e por um momento eu abri talvez o que fosse o sorrisso mais verdadeiro de toda uma vida... Uma mariposa e, embora esteja agora em estado de assombro, começo a rir...

Uma mariposa...

E eu nunca saberei se ela realmente estava ali



...Não...

De qualquer forma, ela estava *Morrendo de rir*

Ela estava...

Uma mariposa


Uma mariposa!
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Réquiem de outono

11:00 PM



I

Mas as folhas ainda caem...
As folhas ainda caem
E isso é inevitável...

O que podemos fazer
É apenas escolher
O modo de olharmos.

Para o futuro...
Para o passado...
Para o tempo...
Ou uma simples folha que cai.

II

É uma chave simples
Para o princípio
De tudo aquilo que se vai.

Um presente oculto
Na trama da vida
Que nos assombra e nos atrai.

Para o desconhecido...
Para o revelado...
Para o indescritível...
Ou apenas uma brisa que nos distrai.

III

Por tudo aquilo que decai,
Que passa ao toque do vento.
São palavras de acalanto

Sem a sombra eterna do espanto
Que nos diz o errôneo
Nesse pasmo pântano.

Por uma pedra que afunda
Por um mínimo de luz
Pela palavra que desfaz.
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Duas ótimas notícias, para mim, é claro

12:25 PM
É impressionante o que faz os momentos de absoluto tédio aos seres viventes e não viventes na face da terra. Não esperem um milagre, hoje também não vou dizer nada de útil - de fato não me importo com qualquer aspecto pragmático aqui nesse covil perdido.

Fui convidado para ajudar uma amiga em seu monólogo o que para mim foi uma grande honra já que ela é uma pessoa de uma genialidade incrível, uma pessoa de grande sagacidade e certamente à frente do seu tempo. Para ser sincero não sei o que ela viu em mim para pedir ajuda, já que absolutamente tudo que eu possa talvez saber ela certamente domina em dobro, mas fico mesmo muito contente com o convite.

A Guardiã está quase no seu estado normal, já apresenta uma melhora significativa, o que me deixa deveras contente e me faz lembrar que ainda não descobri a causa de seu abatimento. Tudo se complica e nada se explica, isso não me desanima, pelo contrário, aumenta minha curiosidade por embrenhar-me nesse evento inesperado até chegar a uma unidade compreensível no meio de tudo o que se passa. Eu vou conseguir, confio nisso de olhos fechados.


PS: Ela está melhorando e eu não lhe encontrei ainda. Arcaico ainda quer pegar você!
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Molde do destino

9:41 AM
Na sombra da cruz
Perdi o meu amor
E espreitava o horizonte
Como quem nada quer

Na sombra da cruz
Foi-se embora toda verdade
E espreitava a terra
Como quem vislumbra nela o princípio

Na sombra da cruz
Forjei meu coração
E espreitava a fornalha
Como meus sentimentos que se formavam

A fogo e ferro
Implorando ao destino
Um pouco de razão

Na sombra da cruz
A fumaça desceu aos reinos

E jamais subiu aos céus
E tomando as dores dos meus olhos
Cegaram-nos por misericórdia

Na sombra da cruz
As cinzas subiram ao firmamento

E jamais o pó desceu a terra
E tomando as dores do meu corpo
Sufocaram-no por misericórdia

Na fornalha da alma
O destino é o ferreiro
Que se põe a fabricar corações

A fogo e ferro
Suor e sangue
A indústria da vida
Regida pelo tempo
Por si só esquecida
À sombra da cruz

Na sombra da cruz aguardava
Não que soubesse o que fosse
Não que me aliviasse as dores

...Mas aguardava...
...Apenas aguardava...

Talvez para ver tristemente
As lágrimas que rolavam dos olhos
Buscando seu encontro com a terra
Descendo solenes, dançando com o vento
E despedaçando meu coração de ferro

Talvez para ver o último raio de sol
Sol que se punha no horizonte
Desaparecia da minha vista
E com ele se foi a última imagem

A sombra da cruz
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Nada de comemorarem, estou vivo ainda

9:23 AM
Nada como uma tonelada de trojans, Spys, Ads e Chaves de registro danificadas para deixar alguém longe do mundo virtual. Bem, cá estou eu, um sobrevivente a uma infestação eletrônica, lutando sozinho no modo de segurança do windowns para atualizar o Covil do Arcaico antes que todos possam comemorar a grande sorte da minha ausência. Minha vida continua sem acontecimentos lendários e a grande novidade não é boa... A guardiã está avariada, severamente avariada e eu não tenho certeza do que ou quem foi responsável por isso. Certeza eu só tenho uma, não vai ficar por isso mesmo - isso foi sim uma ameaça - Faz 2 anos que eu não faço uma excursão para perto das bordas do círculo de folhas, espero que de lá já seja suficiente para ver o engraçadinho quem fez isso, do contrário, é melhor ele nem se dar ao trabalho de ficar feliz, se precisar eu saio do círculo, cousa que nem me lembro quando foi a última vez que fiz... Quem quer que seja que a tiver machucado pode ir preparando uma ótima desculpa, dessas comoventes, não por que eu seja vingativo, não acredito em vingança, mas todos nós acreditamos em justiça. E se o tolo que fez isso acha que conseguiu um grande feito eu deixo aqui palavras que tornar-se-ão profecia: A coruja irá voar novamente, ela não pode ser destruída, ao contrário do que pensam, tão logo o sol se pôr ela rasgará o denso manto da noite com suas asas e voará livre entre os ecos dos salões da mente.


Só um recadinho para quem achar que pode brincar com minha protegida só por que estou longe: Arcaico vai pegar você!
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