Do meu retorno

9:02 AM
Chego de viagem, para o azar dos senhores, sem nenhuma notícia daquela terra onde o tédio consome por completo mesmo o mais cálido estado de espírito. Para variar, continuo sendo um ser polêmico naquele lugar e descobri que não tenho colaborado para mudar essa condição (nem desejo). A notícia de que passei na UFOP se alastrou por toda cidade e já estava eu a ver o momento onde fariam um motim para levar-me à fogueira. Sim, tudo isso por que Paineiras é a capital mundial da inveja e se acham que estou entristecido com a situação estão perdendo tempo (bem, estão perdendo tempo só de estar aqui mesmo) quero mesmo é que a cidade se consuma nas suas próprias chamas e, para todos que desejam minha desgraça independente de qual parte do mundo habitem, desejo um grande EXPLODAM-SE em caixa alta para que mesmo os analfabetos funcionais consigam ler. Estou é morrendo de rir de tudo isso, se acham isso grande cousa então não perdem pelo que ainda virá, os ventos ainda correm e sabe-se lá para onde vão soprar um dia. Recebo anúncios de última hora que indicam que terei de retornar para aquele buraco que intitulam de cidade tão mais rápido que imaginava, preparem-se para ter um súbito acesso de paz novamente, mas não fiquem de todo felizes já que meu retorno, quando se processar, vai durar pelo longo ano que se segue.
Ainda tenho muitos sistemas para desestruturar, ainda tenho muita gente para chocar, ainda tenho muito do que achar graça e um pequenino fragmento de filosofia que diz que nenhum sistema volta ao equilíbrio sem ser perturbado da mesma forma que nenhum sistema sai de equilíbrio sem ser perturbado (embora todos de visão imediata e notóriamente curta sempre irão discordar disso). Entropia, no fim, tudo acaba em entropia, para um propósito ou outro. Não precisam se preocupar, não costumo ver propósito na segunda opção e tampouco acredito que se deva brincar com entropia.
Ah, antes que me esqueça, estou fazendo aulas de direção, o próximo atropelado pode ser você!
Se isso acontecer já sabe. Nunca esteve aqui antes.
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Da minha partida

8:52 PM
Trago notícias, saio de viagem amanhã bem cedo e não sei quando volto e para a felicidade de vocês ficarei sem postar nada aqui até o dia do meu retorno. Em bem da verdade, talvez seja a única notícia útil que vos trago, todo o resto é, além de pouco, um desperdício de tempo. Ando lendo cousas muito técnicas ultimamente, alguns livros sobre composição musical que têm me deixado mais estranho que o de costume. Ultimamente o mínimo som tem me tirado fora de sintonia, padrões sonoros no ambiente voltam minha atenção inteiramente para eles... tenho de parar com essas leituras, deveria vir um aviso na capa "impróprio para gente doida", vão acabar me deixando em um estado de esquisitice ainda mais mórbido que o de costume.

Não vou me prolongar...

Desconectando
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Das redações, poesias e símbolos incompreendidos

8:34 PM
Assim tem sido meus dias: provas, provas, provas... Elas tem atrasado a atualização desse blog, para a sorte de todos. No que entendo, a prova de redação da UFMG é digna de nota aqui, não por ter sido uma prova brilhante, mas por ter sido tediosamente previsível e por me ter feito ver o quanto os da minha idade estão andando cada vez mais rasos. Uma questão que julguei de facilidade tremenda (e pelo visto a UFMG concorda comigo, já que ela estava entre as menos valorizadas), mas antitéticamente a de maior beleza, tratava do livro "flor da morte" de Henriqueta Lisboa. A questão deveria ser um momento de descontração e fluidez poética, mas foi, pelos comentários das pessoas lá presentes, a considerada mais difícil. Ora, para não dizerem que exagero vou citar, tentando confiar na memória, a questão de que falo. Era exposto um fragmento de poema ("o véu" para quem leu o livro) no qual a imagem simbólica do véu era evocada e muito bem explorada pela autora (gostaria de poder aqui descrever o quanto o trabalho linguístico nesse poema foi impressionante, tanto técnicamente quanto líricamente, mas ainda estou traumatizado pelo que presenciei), o enunciado pedia nada mais nada menos, se não me falha a memória, para que a criatura que fosse rabiscar a questão explicasse a simbologia do véu. Bem, o véu é um símbolo de indeterminação e, como a maioria dos símbolos de indeterminação (principalmente dos movimentos simbolistas), é extremamente fácil de se compreender e não tem absolutamente nada de novo, sendo usado por diversos autores em diversos textos que se aproximam do gênero. Talvez só não seja mais comum que o crepúsculo e as neblinas e vapores. Como não bastasse isso, o poema escancarava uma associação entre véu e máscara (que possuem até características físicas análogas) que poderia ter sido explorada pelos candidatos como um aspecto simbólico perfeitamente e com imensa facilidade. É só uma pena que, se as criaturinhas não perceberam nem isso, não devem ter muitas pessoas que partiram do ponto mais brilhante de análise que consegui perceber no momento da prova: O véu expressa toda a delicadeza da poética da fragilidade explorada no livro sem perder, sob essa ótica, seu aspecto de símbolo de indeterminação. O véu turva a visão, mas não a suprime, permite ver, mas nunca com perfeição... É a própria essência de quem tenta contemplar a morte ainda em vida, uma nuvem de imensa força e, paradoxalmente, delicadeza que pode romper-se a qualquer momento e revelar o segredo da morte para aqueles que deixam a vida " entre a vida e a morte apenas um véu". O véu é, na verdade, um símbolo dúbio, multifacetado e trabalhado de forma original e com enorme perícia pela autora... Não é de admirar que seja mesmo uma pena ninguém perceber isso, eu poderia ressaltar ainda diversos aspectos trabalhados no mesmo apenas no trecho citado, como as implicações sociais e a idéia de movimento e fluidez, mas não vou prolongar-me. Deixo os senhores com essa análize grosseira e improvisada mesmo.

Não há um véu sob o rosto das pessoas, há uma lona de construção mesmo, dessas que não deixam passar nem a mínima luz. Não estou fazendo um apelo por algo complexo, é o mínimo, o mínimo mesmo para quem leu pelo menos algum livro de poesia na vida (não, não vale "o cravo e a rosa", vamos deixar o jardim de infância para as criancinhas, elas são ciumentas, e não vamos arrancar os poeminhas delas, ok?).


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Palavra Minha

6:39 PM
A cada palavra que se diz
Vem uma ordem interna
Uma ordem de explicação
E um abismo infindo

Nossa ordem de razão
Onde tudo se explica
Onde a poesia vira tola
Onde o tolo se perde

A cada palavra que se diz
Uma ordem de explicação
E cada palavra que se explica
Banha-se na tolice, faz-se frívola

Palavra minha
Apenas não me pergunte
Apenas não me peça
Ah sim! Não me peça para explicar isso
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Não há o discurso holístico

4:38 PM
Encontrava-me pensando sobre um conflito que acompanha a linguagem (é bem mais saudável que misturar matemática e filosofia), é algo realmente básico e não há de ser nenhuma novidade, mas não deixa de ser surpreendente. Não há relação entre o significante e o significado! Aí está uma das cousas impressionantes dessa espécie, mesmo que não se tenha atingido esse estado sem passar antes por hieróglifos e palavras ideograma. É um grau de abstração bem rasoável com o qual todos convivem sem ao menos saberem disso e pensar assim leva a uma indagação já de imediato: por que diabos as pessoas procuram um sentido em quem diz? Não há significado na forma da palavra em si e isso é análogo ao fato de não haver uma carga satisfatória de sentido em quem profere o discurso. Essa carga de sentido só há de ser satisfatória para o próprio quem proferiu, sendo que o principal responsável por compor sentido é, e não há como não ser, aquele quem ouve e digere o discurso. Se houver alguém que duvidar de que o significante não possui sentido estrito com o significado, apanhe um texto em aramaico e se conseguir traduzir me avisa, tudo bem? Aí está o ponto da questão, pode-se dizer muito (muito mesmo na opinião de quem diz) sem que isso signifique nada para quem ouve, há, pois, aí a ruptura paradoxal da linguagem, o meio que comunica sem se comunicar. Embora isso impressione, não é o ponto da discussão de maior funcionalidade, seu aspecto antípoda é o realmente importante, dizer muito valendo-se de pouco. Essa talvez seja a base para a poesia moderna, alicerce no qual se fundamenta a linguagem multifacetada.

Vocês se perguntam: "e nós com isso?"
E eu respondo: "e eu com isso?"
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Da sombra terrível, serpente vil e traiçoeira

10:11 PM
Não quero prolongar-me no que hoje aqui escreverei, mas creio que não conseguirei cumprir essa minha vontade. Hoje presenciei um fato horrível e tudo o quanto houver aqui escrito será um protesto, um protesto à presença de uma sombra do passado que agora retorna. Escrevo um protesto contra a falta de caráter, contra a falsidade. Protesto contra a sombra que se abateu impiedosa contra o grupo e agora entre nós caminha. Tudo o quanto aqui estiver escrito é um protesto e um desabafo, não merece ser lido e talvez não deva, mas fica aqui, exposta, à vista de todos, a forma que penso e minha expressa opinião.

Uma sombra do passado caminha entre nós novamente. Uma sombra de quem tenho péssimas recordações, de caráter duvidoso, de ética vacilante, natureza escusa, escorregadia e que agora se encontra em declínio. Uma sombra, pela qual aqui protesto, que se imerge na sua própria decadência e agora retorna. Essa sombra abandonou o grupo, julgou o sentimento de raiva que nutria por mim mais forte que a amizade que supostamente tinha sobre nossa comunidade e nos deixou para ir ter-se em convívio alheio, virou-nos as costas sem pensar duas vezes e, agora que encontra-se em ruína, talvez intente retornar. Vejo prenúncios de ruína, vejo nuvens tempestuosas, sinto o surgir de uma presença terrível e sinto que essa presença intenta fixar-se aqui, novamente, entre os nossos. Já deu provas mais que suficientes a mim e aos de maior sensatez de que é um mau caráter, sem firmeza de propósito e incapaz de traçar uma rivalidade às claras, incapaz de imergir-se em convívio social sem impor suas vontades sobre todos. Digo, digo e repito quantas vezes forem necessárias e todas elas em público, para que qualquer um possa ler, para que qualquer um possa ouvir, para que qualquer um possa ver e se tomar em pura sinestesia se necessário for para compreender o que tenho dito. Se intenta essa sombra a abater-se sobre os nossos com sua presença, essa sua presença implicará na minha imediata ausência, não é uma ameaça, é um fato que reporto, uma decisão tomada e firme em suas bases por que não me rebaixarei a mais do que o convívio esporádico e casual com esse ser vil, com esse crápula. Essa sombra retorna agora que entrara em atrito com o ser com quer resolvera partir, essa sombra está em profunda dor e, novamente digo e repito quantas vezes forem necessárias: não me importo com sua dor. Toda sua vilania e todas suas atitudes traiçoeiras estão, como sempre estiveram, perdoadas, mas não vou as esquecer por pena; não estou condoído com seu sofrimento e não estou disposto a tornar a viver com as serpentes. Não vou caminhar sobre o fosso das víboras. Não vou viver em meio a gente falsa, não vou mudar minha maneira de ser apenas por que um mau caráter qualquer assim decidiu, não farei suas vontades. Sobretudo, não serei gentil, não serei receptivo e, caso ele se instale, caso seja de seu intento voltar a ser um dos nossos e seja acolhido a despeito de sua falsidade e de nos ter abandonado e nos trocado, partir-me-ei e sem retorno. Essa sombra pútrida e desleal atende pelo nome de Francisco e desejo, do fundo do meu coração, que EXPLODA-SE, afogue-se na sua própria decadência, perca-se nos dédalos atrozes que escolheu para trilhar sozinho.

E se alguém achou ruim o presente aqui escrito, deixo-lhe um alerta, cuidado ao alimentar a serpente, seu veneno não afeta só o corpo, seu veneno é açoite terrível para a mente.

Entristeço-me em ter de escrever isso em um espaço tão público e apreciado por tantas pessoas que admiro, mas faz-se assim necessário e é do meu intento registrar esse acontecimento da minha vida. Peço-lhes imensas desculpas, o show irá continuar e esse lugar voltará a ser o que era sempre. Agradeço a todos que compreendem, aos que escutam e aos que prestam a devida atenção ao que aqui está escrito... É um momento difícil.

Assim digo, assim vejo, assim desejo.
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Da convivência, dos animes e das críticas frustradas

6:15 PM
Eis um bom conselho, um bom guia para uma tentativa (vai ser frustrada, mas sei que vão insistir em tentar) de bom convívio com a minha pessoa: primeio, se não quer a minha opinião, não peça e segundo, se não quer ouvir algo, não abra um canal de comunicação que torne isso possível. Funciona dessa maneira, aparece-me um amigo e me envia um texto, um lixo literário, desses que espero que não tenham a infeliz sina de terem de ler algum dia. O roteiro era sobre uma horda de seres demoníacos que vinham do mundo inferior para dominar a terra até que um desses protagonistas infalíveis coloca fim a tudo sem o menor esforço. Deve ser culpa dos desenhos japoneses, digo e repito, não há nada que forme gente mais idiota do que esses desenhos. Tudo bem até esse ponto, mas é da natureza dos seres sempre buscar o caminho que os decomponham ante a própria decadência e o indivíduo pediu minha opinião. Estava, e talvez esteja, eu em um desses meus dias de humor sarcástico e sem noção alguma do seu poder destrutivo e só pude responder "ficaria ótimo se estivesse escrito em um mangá"... Essa vida é mesmo cheia de momentos que demostram o puro senso de humor do universo, quando pensava eu, inocentemente, que o candidado a diletante iria avançar no meu pescoço e me morder ele vira para mim e diz "puxa, acha isso mesmo cara? Nossa, valeu mesmo!", sorte que conversavamos pela internet e ele não me viu vomitar, sabe-se lá se a criatura ia me agradecer por isso também!

Veja a que ponto esse mundo chegou, as pessoas não sabem mais discernir quando estão sendo criticadas ou quando estão sendo elogiadas (nota mental, isso pode ser útil). Talvez eu consiga um golpe de sorte e essa pessoa leia isso aqui, já que não vou me dar ao trabalho de tecer uma crítica mais simples.

Deve ser culpa dos desenhos japoneses, só pode ser.
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O sonho

6:48 PM
Sobrevivi mais um ano fora da minha terra amada e, para o azar de vocês, decidi continuar esse blog, até o dia em que minha existência seja totalmente purgada desse espaço.


eu vou conseguir, sei que vou...


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