2:59 PM
Ano novo se aproximando e já estou a maquinar uma maneira de desviar os fogos de artifício diretamente do rumo do firmamento para as pessoas de branco aqui em baixo. É impressionante o grau de inocência das pessoas, quem começou com essa mania de vestir roupas com cores específicas para resolver problmeas específicos da vida específica e egoísta das pessoas específicas que estão vestindo? Alguém acredita mesmo nisso? Deve ser piada, recuso-me a acreditar que algum ser humano possa ser tão otário a esse ponto... Funciona da seguinte maneira, não satisfeitos em arrancar metade do décimo terceiro salário das pessoas que trabalharam (honesta ou desonestamente) o ano inteiro com o natal, conseguem inventar mais uma imbecilidade qualquer para morderem a outra metade. Eu estaria rindo se não estivesse às gargalhadas, os programas de fim de ano advertem "não basta usar uma roupa da cor certa, tem que ser uma peça nova, especialmente as íntimas", claro! Ninguém vai querer você usando uma roupa que está no seu armário carregada de energias negativas do ano velho, é para o seu bem, acredite, melhor comprar tudo novo, não importa se as roupas brancas estão duas vezes mais caras que o normal, você não vai querer correr o risco de passar o próximo ano inteiro afundado na sua própria decadência, vai? Ah... Seu ano foi uma fossa e você cumpriu todo o ritual do comércio à risca na virada do ano passado, fez inclusive uma tonelada dessas simpatias que envolvem frutas exóticas (que teve que comprar e que, coincidentemente, estavam com o preço dobrado) e os famosos pulinhos nas ondas (a despeito de onde você mora não ter mar e ter tido de comprar passagens de última hora pelo dobro do preço para ir para um litoral qualquer, alugar uma casa qualquer pelo preço módicamente também dobrado)... E seu ano foi uma fossa! Imagina se não tivesse feito tudo isso! Teria seu barraco engolido por um tiranossauro que se reconstitui misteriosamente de seu estado fóssil só para azarar a vida daqueles que não colaboram com o sistema... Vou passar o ano novo de preto e recomendo que façam o mesmo! É uma forma silenciosa de protesto e espero que os sensatos procurem seus meios de protestarem. Além de não pagar nada em dobro (vou usar o que estiver no armário mesmo), não vou ser um idiota em dobro, sobrevivi ao natal e vou sobreviver ao ano novo.
Se cair uma chuva de pólvora e produtos químicos danosos para a atmosfera usados para dar cor às explosões inúteis em cima de você na virada do ano, não se assuste, não fez nada de errado, suas simpatias foram seguidas à risca, não precisa se preocupar, não vai ter um tiranossauro comendo seu barraco, mas, caso ele exploda misteriosamente, você nunca esteve aqui, ok?
Campanha "Não seja um idiota em dobro, vista preto no ano novo"
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2:42 PM
Natal, um distrito no fim do mundo, casa de familiares, reunião de pessoas que raramente se vê e uma festa por se concretizar... Isso não pode acabar bem ( e eu duvido que acabou, devem ter bêbados lá até agora, mas causa um efeito dramático), principalmente quando você fica sabendo de última hora que há um bar geminado à casa e isso em dias de festa é um problema maior que o normal.
Não há muito o que dizer da festa, correria, bagunça, gente estranha, discussões entre parentes (sim, por que essa história de amor ao próximo e fraternidade natalina é pura conversa fiada, as pessoas até fingem que são boazinhas e tentam controlarem-se. Não funciona). O que foi realmente interessante foi o fato de ter encontrado um senhor, dono da casa por sinal, que havia adquirido uma rabeca em péssimo estado, falatavam-lhe duas cordas, um cavalete e uma cravelha, além do fato que sua aparência estava péssima e não havia arco. Todavia, o que mais me chamara a atenção fora o fato daquela rabeca ser feita de lata! Duvidei da sua capacidade de produzir algum som, ainda duvido e não houve meios de tirar a prova, não havia arco (por favor, sem piadinhas ridículas e ultrapassadas sobre a "vara" da rabeca)... Para um violinista foi uma experiência que compessou por um lado minha total indiferença ao natal, por um outro lado, vê-la sendo usada de enfeite para uma parede de bar não foi nada agradável. Se algum dia retornar àquele lugar vou tentar restaurá-la, para qualquer violinista é instigante ver uma rabeca de lata e tenho de confirmar se isso funciona.
Devem a esse momento estarem se perguntando "não somos violinistas, não estamos interessados em uma rabeca idiota, principalmente uma feita de lata igual ao cérebro do inútil que está escrevendo isso; e nós com isso?" sei lá, o que é que vieram fazer aqui? Eu não convidei... E não me interrompam de novo...
Continuando...
Havia também um outro senhor bastante cômico que estava pela manhã de sábado a diletar sobre o apocalipse em uma versão rural que seria uma ótima para um antropólogo desocupado estudar. Em seu discurso continham frases para qualquer atoa rir como "quando o divino baixar aqui ele vai olhar e dizer: 'arrocha negrada, chegou o dia' " e "vai voar pedaço de carro no peito de um, antena de televizão no pescoço de outro, e eu que sou de sorte vou estar trabalhando na enxada quando cair um poste na minha cabeça"... Deu para ver que meu natal foi uma fossa.
A vida continua e eu sobrevivi a mais um Natal, estou ficando bom nisso, mas a idade vem chegando e é bom não facilitar... Preciso conseguir um modo de acabar com o natal antes que o outro ano chegue.
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8:30 PM
Ah a inventividade humana... Funciona assim, alguns possuem alguma cousa, outros, nem a mísera parte, mal tem o suficiente para se manterem vivos sem fazer sucesso com mais um desses roteiros baseado em um pastiche da vida em alta sociedade. Eu me aventurei em uma terra selvagem, distintamente selvagem mesmo na selva. Eu fui ao shopping e estando lá, ao cinema. É certo que a compania foi agradável - não fosse por isso eu não teria sobrevivido naquela terra inóspita - mas isso não muda o fato de que, somado a todas as catástrofes, fui ver mais um desses filmes em que basta se ver o cartaz para saber o final que, a propósito, só tem a única função de mandar os espectadores para a casa felizes e contentes (e a minha pessoa ao banheiro mais próximo para vomitar). O que esses roteiristas possuem na cabeça? Deve ser um cérebro mesmo que é a parte do corpo humano que tem se provado menos funcional ao longo da evolução da espécie. Eles devem se achar muito criativos, mas alguém se esqueceu de dizer a eles que fazer paródias da vida americana é tão difícil quanto fazer algum desses romances caricaturados, cheio de personagens caricaturadas que se vendem a preços populares nessas bancas de veículo de cultura descartável. Já estava a caminho de imaginar como alguém poderia ser tão desprovido de inteligência ao ponto de escrever um roteiro daqueles, supostamente feito para satirizar a vida moderna e toda essa conversa fiada de crítico de jornal barato. Nesse momento uma luz divina cruzou a sala obscura do cinema e pensei "é a luz da inspiração, finalmente terei a resposta para minhas dúvidas". Era um celular, um não, uma dúzia deles e um grupo de patetas, desses que só vão no cinema para disparar canetas laser (um clichê no mundo das cousas idiotas a se fazer em um cinema) e testar todos os toques (bregas) dos seus celulares, além, é claro, de compararem a cor da luz de suas máquinas infernais... O roteirista não é tão idiota assim. Cheguei a conclusão que as pessoas (não quero dizer que são todas, espero que tenha alguém que se salve nesse mundo) também são caricaturas, não, não chegam a tanto, são arquétipos rasos (aqueles lá eram imbecis mesmo, não tem eufemismo que os salvem). A essa altura, se é que tem alguém prestando atenção, alguém talvez já tenha percebido que o filme era para ser uma comédia; melhor rir, vai que os animais dos celulares (eles estavam mesmo produzindo barulhos dos mais estranhos) não eram vacinados e se ofendessem ao ponto de resolverem me morder. Rir foi uma solução para não vomitar também, embora tê-lo feito na cabeça do casal da frente parecesse tentador. Acho desnecessário dizer que as perturbações se prolongaram por toda extensão do filme e não me restou outra saída a não ser tentar me aprofundar em alguma discussão filosófica improvisada comigo mesmo. Não foi difícil concluir o óbvio, as pessoas (é, continuam não sendo todas, vai que alguém em algum lugar não é...) não possuem sequer a decência de ter um senso de humor inteligente. Basicamente só se ri por quatro cousas ultimamente: quebra de espectativa, hipérboles, absurdos e quebra do paralelismo semântico (que não deixa de ser um absurdo aplicado no lugar certo). O pior é que as pessoas riem e provavelmente não sabem disso, eu mesmo nunca vi ninguém comentar "viu como a quebra de paralelismo semântico é um recurso explorado exaustivamente naquele filme". Há patetas, que não sabem por que são patetas; há os que riem desses patetas sem saber por que riem; há quem vá contemplar tudo isso sem entender nem desejar tomar parte (para mim os mais otários) e há quem tenha mais o que fazer... Eu fui até lá, mas tenho meu álibi, estava em compania muito agradável, mas quem está aqui, lendo isso, não tem como buscar qualquer argumento escuso. Quem está aqui é por que definitivamente não tem o que fazer.
Vou aprender braile, assim, posso levar algo para ler da próxima vez que for ver comédia de baixíssima qualidade.
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6:08 PM
Ah como são adoráveis as tardes tediosas de terça, principalmente se alguém tiver passado a manhã enclausurado em um pré-vestibular cheio de gente doida. A menina que senta-se ao meu lado fazia careta toda vez que alguém conseguia responder a uma dessas perguntas retóricas que ninguém nunca responde (ou não deveria responder) de algum professor se achando o mestre do discurso... Fiquei calado a aula inteira, bem que pensei em responder alguma cousa para ver ela com cara de raiva, qualquer cousa por que ela era uma anta mesmo e só abria a boca para falar bobagem, mas fiquei calado, tive medo de levar uma mordida, vai que ela não estava vacinada. O pior é que é gente assim que vive em função de tentar entrar em alguma faculdade e para isso faz questão de pisar em quem for ainda mais ridículo no caminho. Essa competitividade dos tempos modernos, não vou dizer que me faz ter vontade de vomitar por que não consigo vomitar e rir ao mesmo tempo. Saí daquele Hospício! Estava livre por mais um dia, para poder voltar para a casa e fazer sei-la-o-que de tedioso já que sou um dos únicos seres (desconsiderando os pré-vestibulandos que são matéria bruta) que ainda não está de férias. Voltando à parte da tarde tediosa de terça... Chego em casa e, como não há no meu estojo de química material suficiente para fazer uma bomba que coloque aquele cursinho pelos ares, contento-me em tentar ler alguma cousa enquanto deleto todos os cartões de natal (sem lê-los) da minha caixa de email, haviam três deles, minha média está caindo finalmente - acho que as pessoas estão percebendo que eu não as envio cartões de natal e não agradeço por nenhum deles - ainda atinjo o número de zero deles, oh utopia. Por que é que não mandam cartões de natal para as crianças da Somália aí, quem sabe, elas se sintam melhor com aquelas frases prontas ridículas do tipo "Feliz natal e um próspero ano novo", claro, por que não vão se dar ao trabalho de mandar um cartão para o natal e outro para o ano novo, já que é dificílimo elaborar essas frases prontas. Quem sabe o cartão também acompanhe um "felicidades para todos vocês que vivem na linha da miséria, afinal são graças a vocês que a máquina pode se dar ao luxo de sustentar todas as suas extravagâncias. Já mandamos até o homem à lua as custas dos diamantes do continente africano e da subnutrição e morte precoce das suas crianças ". Mandaram o homem para a lua, grande porcaria, foram lá e trouxeram um saco de pedras idiotas. Todavia poderiam colocar essas drogas de pedras no maldito saco do Papai-Noel para ver se aquelas renas ridículas (principalmente aquela do nariz neon brega) não aguentem o peso e caiam bem no meio da Somália para virarem refeição na ceia de natal das crianças. Assim, aquele gordo do Papai-Noel faz um regime forçado e se vê obrigado a mandar aquele bando de duendes imbecis (sim por que tem que ser muito otário para trabalhar de graça para sustentar a máquina) confeccionarem uma roupa menos brega para ele, por que não vai ter cinto que salve as roupas de um Papai-Noel anoréxico. A vida é assim, cada um querendo dar uma mordida maior no outro, seja o homem disputando uma corrida até a lua, as bárbies egoístas dos pré-vestibulares, as crianças famintas atacando as renas gordas ou o Papai-Noel em quem for idiota o suficiente para cair nessa. Vamos torcer para que as criancinhas levem a melhor dessa vez e EXPLODA-SE velho brega.
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5:02 PM
Passei a tarde de segunda pensando na minha existência irônica e fora dos eixos. Não bastasse eu passar a madrugada de sábado em delírio semi-consciente, continuo a assistir os debates da rede minas (uma versão local e nada original da rede cultura); é por essas e outras que tenho que ficar ouvindo uma porção de gente dizer "ah você é mais do que imagina e não sabe disso", afinal devem achar-me um intelectual só por que passei a tarde assistindo a um debate vazio e sem conteúdo sobre inconvenientes em festas de natal... Daí me aparecem com esses "você é mais do que imagina e não sabe disso". Não dava para escolher um clichê pior não? O que me lembra, a propósito, que tive de passar a tarde de sexta-feira ouvindo um amigo diletar (sem argumento algum, para variar) desajeitadamente a favor dos clichês e para isso usou muitos deles. Quase vomitei. Deve ser culpa dos desenhos japoneses, não há nada que produza gente mais idiota que desenhos japoneses. Para começar não passam de uma porção de clichês dos mais baratos, os mais aclamados pelos pseudo-intelectuais também são recheados de filosofia barata e frases com o único e exclusivo propósito de causar impacto (frustado, por sinal) por que conteúdo mesmo não tem nenhum. Some a isso uma porção de imagens péssimas, traços que passaram longe de qualquer dote artístico e, para variar, personalidades rasas que são passíveis de serem agrupadas em poucos grupos definidos por seus arquétipos como "O vilão" "O protagonista fodão" "A mocinha burra e meiga" "O idiota irresponsável que possui o maior poder e por isso ninguém pode contestar sua idiotíce"... e por aí vão as personalidades bestas e retas que, a propósito, não tem a mínima graça. Acho que é essa mesma gente que vê isso e acha matrix algo complexo, pior assistem animatrix e saem se achando portadores do domínio da cosciência... Eu achava aquelas pessoas que quando abriam um livro e perguntavam "tem figura?" bastante estúpidas, imagina o que eu penso de quem vive com a cara enfiada em um mangá... Melhor nem dizer.
Sorte que na Narigófia, terra amada, não entrará nem poeira oriental. Vantagens de um regime absolutista onde Eu estarei no poder.
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